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dezembro 26, 2010

O papel do papel de carta

Pensando em coisas que eu queira que meus filhos fizessem, cheguei até o papel de carta.
Calma, pípow! Tô pensando em meninas!
É que vejo hoje a facilidade da turma terminar uma coleção que me assusta!
Lembro dos álbuns de figurinhas que a gente sofria pra conseguir um pacotinho! Lembra? A mãe dava dinheiro pra comprar um ou dois. E se calhasse a época do álbum com o aniversário, talvez a sorte trouxesse alguns a mais!


E assim, lembrei daquelas pastas gigantescas, absurdas, super pesadas de papel de carta. Nossa! Que febre! Não havia papelaria que conseguisse estocar!
Rosa, com brilho, com pelinho, com envelope, da Helloo Kitty, Ursinhos Carinhosos!


O nosso trabalho e ocupação era não amassar e convencer a fulana a trocar "aquele" com  a gente. Isso aos 8, 9 anos!  No mais uma paixonitezica pelo João, ou pelo Daniel. Mas o importante mesmo era ter mais papéis que a Marcinha ou os mais bonitos que a Renata.


Como era legal! Com era mágico entrar na papelaria encontrar mil e quinhentos envelopes de papel pardo, durex, elástico de dinheiro e 3 tipos de papéis de carta que a gente já tinha! Aí, a mãe desesperada fazia amizade com o gerente e pedia pra ser avisada antes das outras mães, quando a novidade chegasse...


Hoje, vejo as meninas, fazendo escova no salão, pintando os olhos com kajal, colando a franja na testa e gritando gostosooooo pra meia dúzia de meninos iguas a elas, mas que aparecem na tv cantando.
Fico triste, porque a inocência tá se indo!


Dei meu primeiro beijo com 12. Beijo roubado. Sem apelo sexual, mas ingênuo! Aí ouço a molecadinha, falando de ficar, beijar, por a mão... Com 8, 9 anos!
Papo de véia, pode ser! O mundo evolui, também sei. Mas pôxa! Não dá pra voltar um pouco a fita e mostrar os papéis pra essas meninas?


Queria falar de sexo com o Pepê ao 9, 10 anos. Mas pelo andar da caminhada, ou melhor pelo andar da correria, preciso falar já!
As meninas têm ligado e investido pesado: "Pedrinho a Giulia não te merece, eu quero namorar com você. Se você quiser, amanhã te dou um beijo!" Luciana, 7 anos.


Gente! Cadê o mundo pra trocar papel de carta com ela?
Não é culpa da mãe (também é, vai!), mas é do pai, do prô, do Boninho, do Silvio Santos, do tio da Perua! MINHA!


Acho que a gente não consegue mudar o mundo, mas dá pra fazer muito na cabecinha dos nossos pequenos.


Pensem nisso, e se quiserem, vou começar a montar uma pasta de papel de carta, pra lembrar daquela época e pra dar para minha sobrinha logo mais. Ela vai fazer 5 anos e antes que ela ligue pra casa do fulaninho, a tia vai ocupar a cabecinha com as Betty Boops e Hello Kitty em forma de papel de carta. Vai aprender a cuidar, colecionar, trocar, ser delicada e menininha.


Indicar no Twitter, um site bacana e nostálgico, vale a pena conferir: http://www.paraisodospapeisdecarta.com.br/


É isso, um beijo e até.


Por Janaína

6 comentários:

Simone disse...

Ei Jana!

Sabe que eu tenho até hoje a minha pasta de papel de carta e Sofia sempre que quer 'escrever' uma cartinha vai lá e escolhe uma bem bonita.

Adoro!!

Bjs!!!!

Carol Garcia disse...

A-DO-RE-I. esse post!
tinha 3 pastas enooormes de papel de carta e dei pra uma prima mais nova.
tenho até medo de perguntar onde foram parar.
a delícia era trocar, negociar.
ótimaidéia!
bjocas

Daniele disse...

êeee delícia, começar a segundona de trabalho com um post tão nostálgico e ao mesmo tempo tão sério...

por partes então:
- Eu tenho minhas pastas de papéis de carta até hoje e morro de dó de dar para minha sobrinha porque sei que anos de coleção iriam durar no máximo um mês pois ela iria desenhar, pintar, cortar e esquecer em poucas horas os papéis, além de ser super difícil encontrar alguém para trocar... concordo com tudo que você escreveu, era uma fase onde a inocência se misturava com as descobertas, entre o olhar e o beijar eram semanas, meses de namorico e beijo selinho era algo muito muito especial...

Me preocupo com a velocidade das coisas, mas o que me preocupa mais é a promiscuidade das coisas, pois, se pararmos para pensar, muitas de nossas avós casaram com 13/14 anos e tiveram váááários filhos, o que mudou é que essa galerinha de hoje não honra o compromisso, e beijo na boca é coisa do passado (como diz um funk bem meia boca)... enfim, tenho tanto a escrever que daria um e-mail... mas ó, estou contigo e não abro, e se cada mãe, cada pai fizer um pouquinho, quem sabe a gente não puxa o freio dessa galerinha que quer 'virar gente grande' antes da hora?

Chris Ferreira disse...

Oi Jana,
lembrei da minha coleção de papeis de carta. Ah.... eu dei para uma prima. Que pena! Como eu me arrependo.
Mas sabe que aqui, as meninas são bem light em relação a esse papo de namoro, de beijo. Não incentivo. São bem inocentes. ALiás, são bem de acordo com a idade delas. Mas eu fico esperta, orientando.
Adorei o post.
beijos
Chris
http://inventandocomamamae.blogspot.com/

Anônimo disse...

Oi amigas tenho meus papéis até hoje e cuido muito bem deles... parece brincadeira mas todo dia pego as pastas pra folhear e voltar ao passado bom e inesquecível..se alguém quiser doar e ter a certeza de que estará em boas mãos fale comigo nathalia_caires@hotmail.com
Bjosss

lidianemoreia disse...

Será que ainda tem a venda?? me bateu uma saudaaaaaade.

Bjsss

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